Mensagem do Presidente

A mobilidade elétrica em crescimento sustentado.

Caros [email protected],

A Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos – UVE, completou dois anos de atividade, iniciando-se em janeiro de 2018 um ano que promete ter grandes repercussões no desenvolvimento da mobilidade elétrica, quer em Portugal, quer em todo o Mundo.

Todos recordamos o estado da mobilidade elétrica no início de 2016: a rede pública de carregamento estava abandonada, carecia de manutenção, de atualização tecnológica e estava vandalizada. Existiam pouco mais de 2.000 veículos elétricos em circulação.

Os Postos de Carregamento Normal (PCN) estão a ser alvo de uma atualização tecnológica e de um aumento de potência, os 100 postos mais utilizados passarão de 3.7 kW para 22 kW, todos serão equipados com tomadas tipo 2 (Mennekes), mais avançadas. Este ano serão instalados mais 200 PCN de 22 kW em todas as sedes de concelho. A rede ficará assim mais eficiente, mais potente e mais abrangente em termos de território nacional.

Os Postos de Carregamento Rápido (PCR) existentes em janeiro de 2016 resumiam-se a 5 PCR distribuídos por 3 localizações (1 na área de serviço da A5 – Oeiras; 2 nas áreas de serviço da A1 – Aveiras de Cima; 2 nas áreas de serviço da A1 – Pombal).

Hoje, em janeiro de 2018, passados 2 anos existem 49 Postos de Carregamento Rápido (50kW) distribuídos por 36 localizações, instalados e a funcionar e ainda 2 Supercarregadores (SuC) da Tesla (135 kW) dedicados em exclusividade aos automóveis da marca.

Paralelamente, diversas empresas privadas têm instalado postos de carregamento para os seus clientes: Ikea (12), Lidl (3), MacDonalds (1), El Corte Inglês (9) e Tesla (44 carregadores no destino). Muitos dos carregadores no destino da Tesla contemplam também carregadores de 22 kW disponíveis a todos os veículos elétricos.

As principais marcas têm postos de carregamento para uso exclusivo dos seus clientes: Nissan, Renault, BMW, sendo que a Toyota também irá instalar uma rede exclusiva, durante este ano.

É suficiente esta rede de carregamento? Claro que não!

Mas é um avanço enorme face ao panorama de há dois anos. Podia ter sido implantada mais depressa? Podia, mas tratando-se de algo totalmente novo, quer do ponto de vista da regulamentação, da fiscalização, da certificação, quer também do ponto de vista tecnológico, do seu uso, da sua implantação, acesso à energia, potência a contratar, etc., foi certamente um avanço significativo aquele que se registou nestes 2 anos.

Resolvidos um conjunto de problemas fruto da novidade, mas também de alguma burocracia. Tudo indicia uma aceleração do ritmo da reparação da rede, da sua atualização tecnológica, da cobertura a todo o país (o que refira-se, já se nota) e do início do pagamento por parte dos utilizadores para os Postos de Carregamento Rápido.

 

A rede de carregamento está aí, e agora os veículos, como evoluíram as vendas?

De janeiro a novembro venderam-se 3.585 veículos elétricos (BEV – Battery Electric Vehicles, 100% elétricos; PHEV – Plug-in Electric Vehicles, híbridos com ficha para carregar na rede; REx – Elétricos com extensor de autonomia) o que representa um aumento de 82% em relação à totalidade das vendas de 2016, faltando ainda contabilizar os números do último mês do ano. Este ano será batido o recorde de vendas anual, duplicando o número de unidades vendidas, cifrando-se a quota de mercado muito perto dos 2%, triplicando quando comparada com a quota de mercado em janeiro de 2016, inferior a 0.7%.

O campeão de vendas mantém-se o Nissan Leaf, o pioneiro, à venda desde o início de 2011, que já vendeu mais de 1.100 unidades novas em Portugal. A Nissan já anunciou, a comercialização do Nissan Leaf de 2ª geração, com uma nova bateria de 40 kWh e entregas previstas para o próximo mês de fevereiro.

O Renault Zoe foi o veículo elétrico mais vendido em 2017, com um total de 574 viaturas vendidas, alavancado pelo modelo com a bateria de 41 kWh, que fez aumentar as vendas exponencialmente. A Renault irá apresentar durante o mês de janeiro um novo modelo do Zoe, com capacidade para carregar a 43 kW (atualmente 22 kW), reduzindo para metade o tempo de carregamento e enquadrando-se nos veículos elétricos com carga rápida.

No setor dos veículos 100% elétricos, destacam-se em Portugal mais de 500 viaturas Tesla dos modelos S e X, novos e importados. O BMW i3, só no ano de 2017 (janeiro a novembro) vendeu 226 unidades, sendo o terceiro veículo 100% elétrico mais vendido neste período.

De registar um número crescente de empresas que adquiriram para as suas frotas veículos elétricos: os CTT, a Delta Cafés, a EMEL, Águas de Portugal, etc., bem como um conjunto de autarquias de norte a sul de Portugal, em que se destaca a Câmara Municipal de Lisboa com mais de 100 veículos elétricos ao serviço, entre carros para os diversos departamentos e veículos para a gestão urbana. Outras dezenas de Câmaras e Freguesias por todo o país possuem atualmente veículos elétricos: varredoras, limpadoras, lavadoras, de recolha de lixo, etc.

O número total de veículos elétricos vendidos em Portugal já ultrapassou as 7.800 unidades, não estando incluídos os motociclos e quadriciclos.

Nas duas rodas registou-se também um aumento, menos significativo, pela falta de oferta, quer em quantidade, quer em diversidade de modelos e potências. Com a aprovação do incentivo à aquisição de motociclos, no valor de 400 euros, assim como do lançamento de novos modelos e mais económicos que estarão disponíveis em 2018, é de esperar um aumento significativo nas suas vendas.

Aos utilizadores de veículos elétricos, aos associados da UVE, um agradecimento especial pelo empenho, dedicação e esforço despendido na divulgação da mobilidade elétrica, sempre procurando o lado positivo, por mais pequeno que fosse, dando visibilidade ao positivo em detrimento do negativo, valorizando e incentivando, agregando e não dividindo, nesta batalha permanente pela mudança de hábitos, a que milhares de portugueses já aderiram, por uma mobilidade mais sustentável, por cidades mais amigas do ambiente e das pessoas, com menos poluição e menos ruído, por uma sociedade e uma economia baseada nas energias renováveis.

Temos ao nosso dispor uma bateria gigante – o Sol! Saibamos aproveitá-la pelo bem da comunidade, pelo futuro dos nossos filhos.

 

Saudações Elétricas,

Henrique Sánchez

 

6 de janeiro de 2018