Análise da UVE | Novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica

A UVE analisa o novo Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, que estabelece o novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (RJME), onde identificamos os principais benefícios e desafios.



A UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos reconhece os avanços introduzidos pelo Decreto-Lei, e analisou o documento final onde destaca as alterações importantes face à proposta que esteve em consulta pública e o que muda para o Utilizador.

Há avanços, mas também desafios que precisam de solução urgente para proteger os utilizadores.

  • Carregamento sem contratos obrigatórios
    Fundamental para os novos utilizadores, podem simplesmente chegar a um PCVE e ativar a sua sessão de carregamento de forma semelhante a tantos outros serviços a que recorrem diariamente. Uma clarificação da lei decorrente da obrigação do novo regulamento europeu AFIR.

  • Pagamento direto com cartão bancário (postos ≥50kW) ou QR Code

  • Deveres de informação ao Utilizador
    Imposição clara das informações que obrigatoriamente devem estar ao dispor do Utilizador no PCVE, que passam a incluir novos detalhes como por exemplo a potência máxima do carregador.

  • Alinhamento com as regras europeias
    Uma das grandes vantagens do novo RJME é por fim a um “braço-de-ferro” que se arrastou durante demasiado tempo e que reteve o investimento e consequente desenvolvimento, em Portugal, da rede de carregamento do maior operador mundial.

  • Reforço dos direitos dos condóminos
    Cabe agora à administração do condomínio demonstrar, de forma inequívoca e com base em parecer técnico, que a instalação representa um perigo real.

  • Regime de Coimas aplicáveis
    Quando olhamos para os números de PCVE de potência ≥50kW instalados após entrada em vigor do regulamento AFIR, onde apenas 23% cumpre com a disponibilização da tarifa ad hoc [observatorio.uve.pt], é fácil perceber que se trata de um passo determinante para garantir um melhor serviço ao Utilizador.
  • Perda da interoperabilidade obrigatória
    Esta posição encontra-se expressa e devidamente fundamentada pela UVE na resposta à consulta pública para elaboração deste novo Decreto-Lei que estabelece o Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, e continuará a ser uma prioridade nas nossas propostas de alteração e no acompanhamento da regulamentação.

  • Cativações de valores nos pagamentos bancários
    Um carregamento que poderá custar 15 €, o sistema bloqueia 40 € ou até mais, podendo deixar o utilizador sem acesso a esse montante durante vários dias. Isto representa uma penalização financeira injusta e desincentiva a utilização deste método de pagamento.

  • Possível acesso limitado a postos fora da rede pública até 2027
    Há o risco de uma “zona cinzenta” legal entre agora e 2027, em que o utilizador pode ser privado de formas de acesso justas e transparentes. Pior ainda, no caso dos postos de potência inferior a 50kW onde não existe em momento algum uma obrigação de retrofit.

  • Carregadores DPC (Detentor de Ponto de Carregamento)
    A UVE empenhar-se-á em obter um compromisso da tutela para a comparticipação a 100% em todos os custos que venham, eventualmente, a decorrer da possível necessidade de adaptação dos sistemas existentes, tanto para as empresas como para os particulares.

  • Serviços de Subscrição
    Diferenças abismais, casos em que o custo sem subscrição chega a ser duas ou três vezes superior, criam desigualdade e afastam novos utilizadores da mobilidade elétrica.

  • Falta de obrigatoriedade de tarifa por kWh
    A alteração promovida entre a versão que esteve em consulta publica e esta versão final, acaba por ser demasiado permissiva, abrindo portas à manutenção de tarifários com forte base no custo por minuto.

  • Risco para a Tarifa de acesso às redes da Mobilidade Elétrica
    A atual Tarifa de Acesso às Redes (TAR) específica para a mobilidade elétrica não prejudica a instalação e operação de postos em zonas com menor taxa de ocupação, tornando-os financeiramente viáveis e diminuindo o risco de desigualdade territorial.

  • Regulamentação em falta
    Tal como acontecia na versão que esteve em consulta publica o Decreto-Lei deixa demasiados regulamentos e portarias para execução posterior. A saber, por 17 vezes, ao longo do documento surgem menções a definições em regulamentos ou portarias a elaborar / aprovar pela entidade competente.

Com o novo RJME em vigor torna-se agora mais fácil explicar a proposta que a UVE sempre defendeu – defendemos, genericamente, tudo o que temos no atual RJME adicionado da interoperabilidade obrigatória e da possibilidade de segregação de consumos num mesmo ponto de entrega – queremos mais soluções para os utilizadores, nunca a restrição das suas opções.

O foco da UVE será resolver as novas dificuldades que o RJME cria para os utilizadores. Não se trata de comparar com o passado ou discutir se são mais ou menos obstáculos. O que importa é construir a partir do que existe e atuar para corrigir os desafios que o novo quadro legal impõe.

Consulte aqui a análise completa feita pela UVE sobre o Novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (RJME)

Lisboa, 26 de agosto de 2025



Resposta UVE à Consulta Pública relativa ao Novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica

No âmbito da Consulta Pública referente à revisão do Novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (NRJME) a UVE analisou extensivamente todo o conteúdo das propostas. Conheça a resposta enviada pela UVE no âmbito desta Consulta Pública.


Simplificar o Tarifário da Rede Pública de Carregamento

Provavelmente o maior problema atual da nossa rede publica de carregamento é a complicação dos tarifários, a dificuldade que existe ao chegar a um posto de carregamento e saber o real custo do carregamento.


Propostas UVE: Revisão do Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (RJME)

No âmbito da Revisão do Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (RJME), a pedido do Gabinete do Secretário de Estado da Mobilidade Urbana, a UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos entregou, em outubro de 2023, um documento com as suas ideias e propostas para os trabalhos em curso.


Conclusões do grupo de trabalho UVE – CEiiA

No seguimento do Manifesto da UVE, sobre “O Estado da Rede” em que se abordavam as principais dificuldades e ineficiências da atual Rede Pública de Carregamento de Veículos Elétricos, a UVE foi convidada pelo CEiiA, para, em conjunto, auscultarem os diversos agentes da fileira da Mobilidade Elétrica em Portugal.