Balanço da Mobilidade Elétrica em Portugal: 2018

Balanço: 2018 um ano excelente | Previsão: 2019 será um ano fantástico

A mobilidade elétrica em Portugal teve um ano excecional tendo batido sucessivos recordes, no entanto existem alguns pontos negativos que desde já identificamos, apelando às entidades responsáveis, sejam os Operadores de Posto de Carregamento (OPC), sejam as entidades licenciadoras e certificadoras, sejam os responsáveis pela rede de distribuição e fornecimento de eletricidade, seja a gestora do Rede Pública, a MOBI.E, para que seja rápida a solução dos diversos problemas que não permitiram ainda a sua entrada em operação.

Alguns dos aspetos negativos:

  • Postos de Carregamento Rápido (PCR) instalados, mas não ligados ao fim de vários meses (exemplo: A3 Barcelos, A8 Torres Vedras e A22 Lagos);
  • Postos de Carregamento Rápido (PCR) do projeto piloto ainda não instalados (Exemplo: A3 Trofa, A4 Penafiel, A6 Vendas Novas, A25 Viseu e IC19 Cacém);
  • Postos de Carregamento Normal (PCN) de 22 kW, referentes ao aumento de potência ou atualização tecnológica, instalados mas não ligados (diversos na cidade de Lisboa, Coimbra, Guarda, etc);
  • Postos de Carregamento Normal (PCN) de 3.7 kW, referentes ao projeto piloto, que se encontram há vários anos avariados, danificados ou simplesmente abandonados (um pouco por todo o país).

Estas situações, prejudicam os utilizadores atuais de veículos elétricos, especialmente aqueles que não dispõem de outra alternativa para carregar os seus VE por não terem possibilidade de o fazer nas suas casas, e desincentivam e desmotivam futuros aderentes à mobilidade elétrica a darem o passo em frente, pelo aspeto descuidado, de falta de manutenção e de abandono que dão da Rede Pública de Carregamento.

No entanto, e como dissemos logo no início, 2018 foi um ano excelente para a mobilidade elétrica pelos enormes avanços conseguidos, quer no aumento da Rede Pública de Carregamento, quer no aumento dos postos de carregamento instalados por privados, para uso privado e para uso público, quer no número de novos modelos que foram postos à venda em Portugal, com baterias com maior autonomia, quer pelos sucessivos recordes de vendas que Portugal tem batido sistematicamente.

Alguns dos muitos aspetos positivos:

  • Tesla inaugura em Portugal os primeiros Super Carregadores (SuC) da marca, com 5 Estações de SuC (Fátima, Montemor-o-Novo, Guarda, Ribeira de Pena e Alcácer do Sal) num total de 44 supercarregadores de 125 kW e mais de uma centena de Destination Chargers (Carregadores no Destino) em diversas unidades hoteleiras e restaurantes;
  • Além do incentivo à aquisição de um automóvel ligeiro 100% elétrico, de 2.250 euros, foi lançado um incentivo à aquisição de um motociclo ou ciclomotor 100% elétrico (até 400 euros);
  • Instalação de novos Postos de Carregamento Rápido (PCR) nas autoestradas, nas principais cidades e em diversos locais de acesso reservado para abastecimento de frotas, de funcionários ou de alunos, num total de mais de 70 PCR em funcionamento;
  • Generalização da correta sinalização dos Postos de Carregamento, quer rápidos quer normais, permitindo assim a intervenção das autoridades de fiscalização, na punição aos infratores, através de multa e/ou reboque das viaturas infratoras;
  • Início da substituição dos PCN de 3.7 kW das cidades por PCN mais modernos e de maior potência, 7.4 kW, 11 kW e 22 kW;
  • Aumento significativo da instalação de PCN de 11 kW e de 22 kW nas grandes superfícies e centros comerciais no sentido de satisfazer os seus clientes possuidores de um VE e de atrair novos clientes, existem inúmeros exemplos: Lidl, Ikea, Intermarché, Recheio, Sonae, Freeport, Dolce Vita, Mar Shopping, etc.;
  • Realização da entrega dos Global Mobi Awards que premiaram os veículos elétricos em diversas categorias (BEV, PHEV, ligeiros, comerciais, frotas) e as tecnologias dedicadas à mobilidade elétrica;
  • Realização do Encontro Nacional de Veículos Elétricos – ENVE 2018, em Leiria, com um novo recorde de participações: 306 veículos elétricos, e a participação de associações de utilizadores de VE de Espanha e do Brasil;
  • Realização de Encontros Regionais de Veículos Elétricos e de vários eventos de iniciativa das autarquias locais, de Institutos Politécnicos, de Faculdades, de fabricantes de automóveis, de fabricantes de sistemas de carregamento, etc.;
  • Inauguração das primeiras oficinas dedicadas aos veículos elétricos, sua manutenção, conversão de veículos com motores de combustão interna em veículos elétricos (EVolution, no Prior Velho e na Batalha);
  • Início dos pagamentos nos carregamentos rápidos, passo determinante para a conclusão da fase piloto e para a transição para a fase comercial;
  • Aumento exponencial das vendas de veículos elétricos, tendo a quota de mercado dos VE em Portugal atingido os 5.4% em setembro e os 3% no acumulado do ano, conseguindo Portugal estar no 5.º lugar, a nível mundial, logo a seguir à Noruega, Suécia, Holanda e China;

E 2019 como será?

Tudo indica que veremos o aumento significativo da Rede Pública de Carregamento com a instalação de inúmeros PCR e PCN bem como a generalização dos PCN de iniciativa privada.

Assistiremos à chegada de novos modelos de VE com mais autonomia e maior diversidade de preços, tais como o Hyundai Kauai, o Kia Niro, o Nissan Leaf 60 kWh, o Jaguar i-Pace, o Peugeot 308 elétrico, o BMW i3 120 Ah, o Porsche Taycan e o tão aguardado Tesla Model 3, que iniciará as primeiras entregas na Europa no próximo mês de fevereiro, depois do enorme sucesso que está a ter nos Estados Unidos.

A UVE participou em diversos eventos de divulgação da mobilidade elétrica, uns de sua iniciativa e organização, outros a convite de outras entidades. Percorremos o país de norte a sul, do Minho ao Algarve, tendo estado também nos Açores e em Espanha.


A UVE cresceu, consolidou-se, chegou a cada vez um maior e mais diversificado número de pessoas, no entanto os desafios que se nos colocam, no futuro próximo, são muito exigentes. Necessitamos da colaboração de todos os que acreditam que é possível mudar, que pequenos gestos, por mais pequenos que sejam, são importantes, e que não chega falar, é preciso fazer, fazer acontecer.

A todos votos de um Ano Novo de 2019 pleno de realizações sustentáveis.