COVID-19, a pandemia que permitiu ao Planeta respirar fundo!

Muitas são as notícias que mostram imagens da diminuição dos níveis de poluição pelo mundo inteiro. Apesar da inegável tragédia humanitária e das consequências sócio-económicas que resultarão desta pandemia, uma coisa é evidente: em menos de três meses, o planeta parou… e respirou fundo!

A Ameaça é Real

Embora de caráter positivo, este artigo pretende também reforçar que a ameaça de contágio pelo novo Coronavírus (COVID-19) encontra-se ainda ativa e que as precauções dadas pela DGS – Direção Geral de Saúde e pela OMS – Organização Mundial de Saúde devem ser escrupulosamente cumpridas por todos.

Portugal encontra-se em estado de emergência, saiba o que isso implica e quais os seus deveres e obrigações, tal como os seus direitos.

Enquanto o mundo se debate com as medidas de contenção e com a crescente procura de cuidados médicos – colocando os serviços de saúde em esforço – são visíveis várias consequências da pandemia de Coronavírus (COVID-19) que serão motivos de reflexão nos próximos meses e que não podem passar despercebidas: diminuição das emissões poluentes para a atmosfera, menos poluição sonora, racionamento do consumo (tanto de bens essenciais como os mais supérfluos), solidariedade para com os mais frágeis, etc.

Em menos de 3 meses, o mundo abrandou de tal forma que deu lugar a um momento de calma e serenidade nas cidades e centros industriais… permitindo ao planeta respirar fundo e mostrar que a vida tem sempre forma de superar a adversidade.


Onde outrora tínhamos carros e poluição nas cidades, agora deram lugar ao silêncio e ao regresso da vida animal!

Como consequência desta diminuição visível, foram verificados vários casos em que os animais, que não eram comuns nas cidades, devido à excessiva quantidade de pessoas, reclamaram os seus habitats.

Como o caso de Veneza, em Itália, em que os canais ficaram visivelmente limpos – como não estavam há anos – e que tiveram condições para que aparecessem cardumes de peixes. Em outras cidades italianas, começaram a registar o regresso de animais a circular livremente nas ruas, como javalis e ovelhas.


Na cidade de Nara, no Japão, os veados do Parque de Nara, passeiam livremente pelas ruas, agora desertas de pessoas e veículos:

Em 2019, foram motivo de notícia, por estarem em perigo de vida por ingerir plástico deitado ao chão por turistas.


Na Tailândia – segundo um vídeo que se tornou viral nos últimos dias – bandos de macacos correm livremente pelas ruas, antes ocupadas por turistas, à procura de comida.


Embora seja uma prática condenada recorrentemente nas redes sociais, a população de macacos na Tailândia, são uma das atrações turísticas mais comuns. Milhares de pessoas, diariamente, tiram fotografias com os macacos, alimentam-nos com “fast-food”, refrigerantes e doces, que prejudicam a saúde dos animais. Quando privados desse suporte, pela redução drástica do número de turistas e pela delapidação do seu habitat natural, os macacos recorreram às populações mais próximas, para tentar encontrar comida.


Tempo de parar e respirar fundo

Em Itália, segundo a ESA – Agência Espacial Europeia, a diminuição do nível de poluição foi de tal ordem que era observável do espaço:

“Embora possa haver pequenas variações nos dados devido à cobertura de nuvens e mudanças climáticas, estamos muito confiantes de que a redução de emissões que podemos ver coincida com o bloqueio na Itália, ao causar menos atividades industriais e de tráfego” explicou Claus Zehner, da missão gerente da ESA em comunicado.


Animação que mostra a diminuição drástica dos níveis de poluição na Europa, com principal impacto na Itália, desde o início de 2020, quando a epidemia se espalhou no território Europeu. Os dados utilizados na realização da animação, são provenientes da ESA – Agência Espacial Europeia.

Na China, o país mais afetado pelo surto do novo Coronavírus (COVID-19), e onde este foi identificado em primeiro lugar, os níveis de poluição baixaram drasticamente, que, à semelhança de Itália, não passaram despercebidos nas imagens de satélite.

A quarentena imposta em vários países a nível mundial, permitiu a diminuição das emissões de CO2, em menos 1 milhão de toneladas, por dia. Segundo a agência Lusa, a informação baseou-se em relatórios internacionais que apontam para a diminuição na procura do petróleo, na utilização de carvão e a suspensão de milhares de voos comerciais, tiveram um papel essencial nesta redução de emissões poluentes.


A solução está à vista de todos

Por muito que a necessidade de uma mudança radical seja do conhecimento de todos, a ideia de levar um modo de vida mais ecológico e consciente para com o ambiente, é ainda visto como algo “difícil”, por necessitar de várias alterações nas nossas rotinas e hábitos. A forma como continuamente encaramos o planeta como algo “nosso”, torna-se perigoso quando não respeitamos a individualidade de cada forma de vida, de uma maneira que permita a coexistência entre todos, de forma saudável.

Por muito drásticas que as medidas de contenção da pandemia pareçam atualmente, estas deram a oportunidade à humanidade de mostrar outras grandes qualidades:

Capacidade de Adaptação
Solidariedade
Sentido de Comunidade

As consequências na economia mundial, estão ainda por conhecer exatamente, contudo, até lá, temos a oportunidade para repensarmos as nossas opções e de como é que poderemos sair desta situação como uma sociedade mais compreensiva, mais ecológica e mais responsável.

Não podemos mais adiar a decisão de optar por energias renováveis, viver com menos consumo de combustíveis fósseis, menos plástico e menos lixo, dando lugar a mais qualidade de vida, para si e para todos.

O nosso planeta, como um organismo vivo, está a comunicar as suas necessidades à humanidade.

Teremos a capacidade de o ouvir?

Não há planeta B!